Em qualquer comunidade — seja numa aldeia ou numa cidade — é natural que existam discordâncias quanto à gestão e às prioridades. No entanto, há temas de interesse colectivo — como a preservação do património — sobre os quais se presume que deveria existir um consenso alargado.
Em Santa Combinha, é o caso da antiga escola primária. Durante anos, o edifício foi subaproveitado — utilizado pontualmente em contextos associativos ou educativos — e a manutenção era mínima, mas, pelo menos, não havia descaracterização.
No entanto, hoje, a situação é lamentável. Desde 2023, a escola passou a ser utilizada pelos serviços de manutenção da aldeia e da Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo (PPAA). Cumpre sublinhar que não pretendemos visar os funcionários, que, obviamente, não são responsáveis pela infraestrutura que lhes é atribuída.
Acreditamos que ninguém com alguma cultura discordará de que a escola não é, de forma alguma, um edifício adequado para a sua actual utilização — quer em termos de dimensão, acessibilidade ou funcionalidade.



Considerando a descaracterização do edifício — e o facto de a situação não ser pontual, mas já se prolongar há dois anos — é legítimo afirmar que a presente situação constitui uma falta de responsabilidade na gestão do património público.
Falta de alternativas ou de fundos não são justificações aceitáveis. Ainda mais no contexto do Azibo, onde, nos últimos anos, se construíram infraestruturas de qualidade duvidosa, que não eram nem essenciais, nem urgentes — sobretudo quando comparadas com a necessidade de instalações adequadas para os serviços de manutenção.
Presume-se que as autoridades, tanto a nível da Junta de Freguesia como da Câmara Municipal, tenham o conhecimento de causa para reconhecer que a presente situação é uma inaceitável. Especialmente num concelho que afirma querer promover a cultura e o património.
A arquitectura da escola é testemunha de um capítulo, embora problemático, da nossa história. (Importa sublinhar que a defesa do património é um acto cívico, e não político.) Além disso, insere-se num núcleo rural já ameaçado em termos de património e identidade, onde a arquitectura tradicional tem vindo a ser gradualmente destruída em favor de construções genéricas e dissonantes.
Tanto em termos de defesa do património como de preservação do núcleo rural — já fortemente descaracterizado — acreditamos que as autoridades devem agir para resolver esta situação.


