O incêndio recente no Azibo revela o crescente risco ambiental

Em primeiro lugar, a nossa associação agradece a intervenção dos Bombeiros Voluntários, da GNR, da SEPNA, e de quem alertou as autoridades no passado dia 13 de julho.

Embora o incêndio tenha ficado limitado a cerca de 1ha, ter sido controlado em três horas e não ter afectado pessoas, animais ou edifícios, cada incêndio é de certa forma uma tragédia.

Tragédia porque — tanto a nível nacional, como noutros países do sul da Europa — os incêndios se tornaram um fenómeno recorrente, maioritariamente causado pelo homem: por negligência ou intencionalmente. O que implica uma falta de responsabilidade na sociedade, mas também ao nível das autoridades.

O Estado pesado, que intervém em praticamente todos os aspectos da vida dos cidadãos, deveria investir muito mais na educação e sensibilização, e na actualização o código penal. O problema é que o Estado intervem e investe sobretudo em áreas onde os resultados são directos, quantificáveis e politicamente vantajosos…

O programa Floresta Activa, lançado pelo ICNF e o Fundo Ambiental, embora louvável, é trágicamente insuficiente face ao desafio actual. Os apoios são actualmente de 650€/ha, independentemente da topografia. Ou seja, quem possui terreno acidentado, de difícil acesso — onde o risco de incêndio, ou a dificuldade em combatê-lo, pode ser superior — já é penalizado.

Para além do apoio por hectare ser insuficiente em muitos casos, o orçamento total também o é. Estima-se que em Portugal 40.000 ha de culturas permanentes estejam em situação de risco ou abandono. Mesmo com os apoios de 650€/ha, seriam necessários 26 milhões de euros. No entanto, o programa prevê apenas 4 milhões em 2025, ou seja, apenas 1/6 do que se estima necessário — com um período de candidaturas de apenas dois meses. Mesmo que o programa reabra em 2026 e continue anualmente, prolonga-se o risco de incêndios em terrenos que poderiam ser limpos agora.

Com as alterações climáticas e o abandono dos campos, Trás-os-Montes é particularmente vulnerável. A tendencia é o risco aumentar e o período anual de incêndios prolongar-se. A prevenção irá depender da responsabilidade de todos — nossa, de quem nos visita e das autoridades.

(Fotografia: Rádio Onda Livre/Rádio Brigantia)