A evolução do Azibo, nos últimos anos, não foi particularmente impressionante.
O problema é não existir uma visão, nem uma estratégia de desenvolvimento. Em teoria, a Câmara apoia o turismo de natureza — repetindo as palavras sobre a Paisagem Protegida, o Geopark, a Reserva da Biosfera, o reconhecimento dos Caretos como património da UNESCO, etc. — mas na prática promove (ou não age contra) o turismo de massas, que aprecia tudo menos a natureza.
Esta falta de visão reflecte-se na forma como a Câmara gere a presença digital do Azibo. Até recentemente havia um site dedicado à Paisagem Protegida da Albufeira do Azibo (PPAA): azibo.pt. Não inspirava, nem convidava particularmente a visitar o Azibo, mas era informativo e visível nos motores de pesquisa.
Há alguns meses, o sítio esteve offline, uma vez que o domínio tinha caducado por falta de renovação. Pouco tempo depois, foi adquirido por uma empresa de registo de domínios (catched.com), e, posteriormente reactivado, passando a redireccionar os visitantes para uma plataforma de apostas (Mostbet)…

Como é possível a Câmara ter abandonado este domínio? Mesmo que não fosse o seu proprietário, deveria ter estabelecido contacto com quem o era. Tal como estava concebido, o site não podia gerar interesse significativo; mas a solução era redesenvolvê-lo, e não abandoná-lo.
Porém, a Câmara decidiu integrar a página oficial da PPAA no seu próprio site: https://azibo.cm-macedodecavaleiros.pt/. O resultado era previsível: a apresentação é descritiva e genérica, e não inspira.
Em termos de pesquisa e coerência, existem desafios:
- A página oficial da PPAA apenas aparece na segunda página de resultados no Google Search;
- A página Wikipedia da PPAA ainda aponta para um velho site azibo.org, offline há muito tempo e entretanto também registado por terceiros;
- Nos sites do INCF e Natural.pt, a apresentação da PPAA ainda aponta para azibo.pt… reencaminhando para a Mostbet.
- A página Facebook da PPAA já não é actualizada desde 2024.
O abandono do domínio azibo.pt foi uma decisão lamentável. Bem elaborado, teria sido a plataforma ideal para comunicar o potencial do Azibo, com informação sobre o parque, a fauna e flora, os trilhos e a infraestrutura existente (praias, centro náutico, restaurante, etc).
No mundo profissional, isto é precisamente o que se procura evitar a todo o custo: a apropriação, por terceiros, de um domínio associado a uma marca ou território. Ao perder-se o domínio, perde-se visibilidade nos motores de pesquisa, gerando uma imagem fragmentada e incoerente.
Infelizmente, hoje não existe uma gestão integrada da PPAA; o abandono do domínio azibo.pt é apenas um sintoma visível dessa fragmentação.
As autoridades contentam-se a explorar o Azibo, com uma ambição e um investimento mínimo. Em consequência, a degradação do património e o turismo de massas não são possíveis ameaças — mas a realidade.
É uma falha colectiva, em que todos somos responsáveis. Ao não exigir mudança estrutural e responsabilização, nunca teremos os resultados que queremos — mas aqueles que merecemos, por falta de ambição, interesse e participação.


