(Imagem: Ecopark do Azibo/Núcleo de Salselas. Subaproveitado, encerrado, vandalizado.)
É uma situação que se verifica em Santa Combinha — e por todo o país. Constroem-se infraestruturas — não raramente subsidiadas — que são inauguradas com pompa e divulgadas como catalisadores de desenvolvimento. Porém, passados alguns anos, constata-se que, por alguma causa não antecipada, a infraestrutura em questão se mantém subaproveitada. Perde-se o interesse, não se investe na manutenção, os edifícios degradam-se e, em vez de estimular o desenvolvimento, acaba-se por fazer o contrário.
O Núcleo de Salselas é um exemplo. O projecto foi iniciado pela Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, que organizou em 1997 um concurso público para a sua empreitada, com um orçamento previsto na altura de cerca de 2,04 milhões de euros, excl. IVA (valor actualizado).
Não temos dados sobre a primeira década de actividade. Mas em 2013, o Grupo Pena Aventura começou a explorar o núcleo, sob a designação de EcoPark do Azibo, com uma estratégia algo genérica e arbitrária. Em 2020 encerrou — supostamente devido à pandemia de Covid-19 — e até hoje não relançou a actividade.
Porque será que este e outros projectos falham? Porque é que continuamos a construir infraestruturas sem conseguir dinamizar as nossas comunidades, promover um turismo de qualidade, e estimular o crescimento económico e a mobilidade social?
No caso particular do EcoPark, tanto a localização isolada como a tipologia — a combinação de um edifício destinado a grandes grupos com casas de montanha de carácter familiar — foram escolhas questionáveis.
“Enquanto o objectivo principal for o crescimento económico — sem identidade bem definida, sem visão qualitativa, sem sensibilidade cultural, sem respeito pelo património, sem uma estratégia que inspire — o desenvolvimento continuará a ser anémico.”
Mas o problema fundamental é que o desenvolvimento não se contrói com infraestruturas. Sim, as infraestruturas são necessárias, mas o verdadeiro catalisador do desenvolvimento é um contexto cultural propício, que defina a identidade de uma comunidade — os seus valores, o seus objectivos, a sua visão de longo prazo.
As autoridades saltam esse passo fundamental. Seguem uma estratégia tecnocrática, focada no crescimento económico através da construção. Acredita-se que, construindo mais infraestruturas, automaticamente haverá mais turismo e desenvolvimento. Na realidade, o que se obtém é mais betão, descaracterização da paisagem e turismo de massas. E o desenvolvimento continua… duvidoso.
Não parece haver consciência de que, no contexto Europeu de hoje, com os transportes democratizados, existe uma diversidade de destinos tão ou mais atractivos do que Trás-os-Montes — com melhores praias, paisagens mais impressionantes, maior riqueza arquitectónica, gastronomia mais diversa, vida cultural mais dinâmica, etc. Em tal contexto, uma identidade e uma visão bem definidas são indispensáveis. Mas será que as temos?
Essencialmente, o desafio de Trás-os-Montes é cultural. Como (re)definimos a nossa região para o futuro? Qual é a nossa identidade, quais são os nossos valores, o que é que nos destaca profundamente, no contexto nacional e europeu?
Ironicamente, não são questões complexas. Mas são fundamentais. E continuamos a ignorá-las — em favor da linguagem do betão.
E consequentemente, o desenvolvimento continuará… em construção.


