O Centro Náutico do Azibo é mesmo um centro náutico?

No ano passado, foi concluída a obra do Centro Náutico do Azibo — perdão, Centro Náutico de Macedo de Cavaleiros. É lamentável, e até algo mesquinho, a apropriação terminológica desta instalação por parte da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros.

Salvo a ligação administrativa à autarquia, não existe nenhuma justificação sólida para desligar a designação do Centro Náutico do seu verdadeiro contexto — o Azibo. Bem pelo contrário: em vez de um paternalismo burocrático, a Câmara deveria promover a inclusão e o respeito pela identidade local.

Infelizmente, esta não é a única inconsistência do projecto. Como a aparência exterior revela, o centro náutico é essencialmente um edifício administrativo de apoio, com salas de formação/multiusos, “ginásio” e balneários. Dificilmente poderia ser mais do que isso, tendo em conta a área útil de aproximadamente 230 m².

É verdade que o centro possui certificação da rede portuguesa de Estações Náuticas, coordenada pela Fórum Oceano. No entanto, não se trata de um verdadeiro centro náutico, em termos de prática desportiva. O programa funcional e a localização não são adequados — pelo menos não para a prática ao nível competitivo.

Algumas observações:

  • O centro náutico não se encontra num ponto estratégico da albufeira. O posicionamento — recuado em relação à linha de água — também levanta questões. Mas para uma função sobretudo administrativa e educativa, estes aspectos tornam-se menos críticos. Contudo, o acesso faz-se, passando pelos contentores de reciclagem… Falta de planeamento.
  • Não houve preocupação em conceber um edifício que valorizasse o contexto paisagístico, com um carácter convidativo e um espaço de convívio agradável (como, por exemplo, um terraço no topo, com vista sobre a albufeira). A linguagem arquitectónica — volume monolítico, genérico, fechado — não comunica a função náutica, nem explora as qualidades do lugar. Incompreensível.
  • Presume-se que o edifício adjacente, e que já existia, irá servir para armazenamento de equipamento. No entanto, o acesso à água não é verdadeiramente adequado (pelo menos no âmbito do remo competitivo).
  • Devido à localização, não houve integração do centro náutico e o cais fluvial. Logo, não existem pontões ou uma rampa com piso rígido na proximidade imediata do centro. Para kayaks e canoas, tal não é crítico, mas para o remo competitivo está longe de ser ideal. E para lançar um barco à vela de maior porte, é necessária a deslocação ao cais fluvial, por outra via…

Concluindo, em vez de se investir 470.000 € numa infraestrutura de qualidade, construiu-se um edifício genérico, com acabamentos pouco cuidados. O que levanta a questão: terá sido investida apenas uma fracção do orçamento no edifício — dado tratar-se mais de um posto administrativo do que de um verdadeiro centro náutico — reservando-se o máximo possível para o financiamento de postos de trabalho que, em si, não contribuirão para a melhoria da qualidade da infraestrutura?