O futuro de Santa Combinha passa pela sustentabilidade

É lamentável e incompreensível que a sustentabilidade não seja um tema mais proeminente nas prioridades, nos eventos e na comunicação da Câmara Municipal, sobretudo numa região de grande riqueza natural como Trás-os-Montes.

Hoje a sustentabilidade é um tema central na UE e afecta todos os níveis e sectores da sociedade, incluindo, naturalmente, a agricultura, devido ao seu impacto sobre o ambiente. Ainda assim, persistem muitos preconceitos e falta de conhecimento sobre o seu significado e importância.

Relativamente ao Modo de Produção Biológico (MPB), argumenta-se que a transição não compensa em zonas de minifúndio, devido aos custos associados e à falta de acesso ao mercado de produtos biológicos. Este argumento tem algum fundamento, mas apenas se considerarmos a rentabilidade numa perspectiva restrita e de curto prazo.

Obviamente, isto é um erro fundamental, pois os custos de produção, em termos globais — incluindo o impacto na paisagem, na biodiversidade, na qualidade alimentar, na saúde, na imagem da aldeia — são superiores na agricultura convencional. Infelizmente, a maioria de nós preocupa-se sobretudo com os custos imediatos e com a sua situação individual, hipotecando assim o nosso futuro colectivo.

Para maximizar os benefícios, seria necessária uma abordagem holística ao que significa ser uma aldeia sustentável: MPB, agriturismo, reciclagem, valorização do património, promoção de produtos locais e turismo “lento” (trilhos, vela, remo, observação de aves), bem como uma melhor manutenção das infraestruturas do parque.

É verdade que implementar estas iniciativas não seria fácil e exigiria tempo. No entanto, a situação actual é ainda mais desfavorável, pois, em termos de turismo, estamos em desvantagem. A nossa infraestrutura de alojamento é limitada; existem praias e parques por todo o país a competir connosco; e dependemos de uma Câmara Municipal com recursos limitados, focada na sua própria infraestrutura.

No que diz respeito à comercialização dos nossos produtos, sem certificação biológica tornar-se-à ainda mais difícil afirmar a marca Trás-os-Montes num mercado orientado para a qualidade. Pois, qual é, afinal, a mais-valia de um produto transmontano, se for produzido à custa da degradação da paisagem e da biodiversidade?

Se optarmos pela via mais fácil — não agir e esperar que a Câmara o faça — é pouco provável que as perspectivas da nossa aldeia melhorem. Mas, se tomarmos a iniciativa, poderão surgir novas oportunidades.