Nos últimos anos foram elaborados alguns estudos — tanto a pedido da Câmara Municipal como da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes — abordando o potencial e os desafios do turismo na nossa região.
Os estudos sublinharam a importância de apostar no nosso potencial diferenciador — o turismo de natureza — e no público internacional, em particular no segmento de classe média/alta que aprecia a natureza e a cultura.
Apesar do carácter consultivo destes estudos, é razoável supor que orientassem a estratégia turística do município. No entanto, tal não parece reflectir-se na realidade, seja ao nível da oferta, da promoção ou do perfil do público actual.
No caso do Azibo, e contrariamente ao espírito do turismo de natureza, as praias fluviais continuam a ser promovidas como a principal atracção, ficando a natureza e a cultura em segundo plano.
Não surpreende, por isso, que o turismo no Azibo seja sobretudo sazonal, de praia e sol, e que, décadas após a construção da albufeira e a criação da paisagem protegida, a diversificação da oferta — desde a observação de aves à astronomia e aos desportos aquáticos — continue a ter uma expressão reduzida.
Essencialmente, a actual oferta turística reflecte a nossa cultura e aquilo que nos é familiar, e não necessariamente o potencial do nosso património ou os interesses do público-alvo. Note-se que, durante gerações, a natureza foi sobretudo uma fonte de sobrevivência, e não de lazer.
No entanto, para atrair o público-alvo, é necessário que a oferta seja adaptada e promovida de forma consistente. Faltando uma estratégia de promoção, e apelando ao público em geral, sem um segmento em particular, o resultado é precisamente aquele que se verifica hoje: em vez do lugar determinar o público, o público determina o lugar.
Apesar da Câmara Municipal insistir na “excelência” das infraestruturas, essa excelência não parece traduzir-se ao nível do turismo — precisamente devido à inconsistência entre o potencial do território, a oferta existente e o perfil do público actual.
Talvez seja tempo de reconhecermos que a excelência não se proclama. Não resulta automaticamente do potencial que temos ou do orgulho que sentimos; é o fruto de um trabalho contínuo e colectivo.


