Motivação

Antes de mais, agradeço a sua visita.

O objectivo desta iniciativa não é representar a comunidade de Santa Combinha, mas sim contribuir para a sua valorização e para o debate sobre os seus desafios e oportunidades.

Compreendo questionarem-se as minhas intenções, uma vez que não sou residente, embora as minhas raízes na aldeia remontem aos meus trisavós.

Se alguém me tivesse dito, há vinte anos, que eu iria tornar-me agricultor (mesmo em actividade secundária) e zelar pelos interesses de uma aldeia transmontana, eu teria respondido que essa pessoa tinha perdido o juízo.

Visitei Santa Combinha pela primeira vez em 2011 e, desde então, tenho vindo todos os anos. Durante uma das primeiras estadias, ao passar na rua, ouvi uma senhora perguntar ao marido: “mas quem é este c***lho?”.

Achei graça à rusticidade da observação. Fui percebendo que, numa aldeia pequena, é natural que quem chega de fora desperte curiosidade — sobretudo quando demonstra interesse pelos assuntos da aldeia.

Por isso, compreendo que alguns tenham questionado, e talvez ainda questionem, as minhas intenções. No entanto, é simples:

Em Santa Combinha sinto-me em casa, mesmo que, fisicamente, não o esteja. Por isso, preocupa-me ver a aldeia perder a sua identidade. Há cada vez menos gente, acabam-se as tradições (como fazer queijo e vinho) e desaparecem os edifícios típicos.

É difícil identificar, na actuação das autoridades, uma estratégia de valorização do património rural — excepto quando este pode ser rentabilizado a curto prazo — como é o caso dos Caretos.

A comunicação institucional nas redes sociais é sobretudo promocional e expressiva, destacando o orgulho transmontano, o convívio nas feiras, a excelência da gastronomia, o dinamismo e a emoção dos ralis, entrudos, batidas,…

Tudo isso faz parte da nossa identidade. Mas onde está o debate sobre os desafios estruturais? Qual é a visão de longo prazo? Qual é o futuro das aldeias e da economia local?

Se quisermos que Santa Combinha continue a contribuir para o desenvolvimento do Azibo e para o prestígio do concelho, sem o devido reconhecimento e valorização, então estamos no rumo certo.

Mas se pretendemos que a nossa aldeia se afirme como uma referência na valorização do património, da paisagem e da identidade transmontana, cabe-nos assumir responsabilidade e iniciativa.

Miguel