Paisagem Protegida sim, parque de diversões não

Caros amigos e vizinhos,

Com o verão a aproximar-se, reiteramos o apelo à Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros para a definição de uma política de turismo sustentável.

Não é necessário ser ecologista para constatar que a evolução do turismo de praia no Azibo não tem sido compatível com a gestão responsável de uma paisagem protegida. Os problemas são diversos, tais como o perfil e o volume dos visitantes das praias durante os meses de verão, o congestionamento na estrada para Santa Combinha, o impacto ambiental e a descaracterização da imagem do Azibo.

Compreendemos que a Câmara siga uma política liberal, apoiando os interesses comerciais da cidade e dos comerciantes nas praias. No entanto, a situação actual prejudica a todos. Ao permitir que o Azibo se transforme num destino de massas, estamos a fazer uma promoção negativa — afastando aqueles que se interessam pela cultura e pela natureza, justamente o público mais adequado e que teria um maior impacto económico.

Nas condições actuais, quem teria vontade de disfrutar da paisagem ou de descontrair com um livro, nas nossas praias, rodeado por um público “domingueiro e barulhento” (nas palavras do Plano de Ação para a PPAA, 2021)?

A solução passa pelo equilíbrio entre os interesses comerciais e ambientais.

Em primeiro lugar, deveria haver uma visão e uma estratégia de turismo para o concelho. A realidade actual sugere que tal não existe. Maximizar o número de alojamentos e refeições vendidas, não é uma gestão responsável.

Havendo uma ambição sustentável, deveria ser realizada uma consulta com as autoridades competentes para a realização de um estudo imparcial e objectivo, que defina o impacto aceitável no Azibo.

Desse estudo provavelmente resultariam medidas como:

  • Promoção do turismo local, limitando o número de “excurcionistas e domingueiros”;
  • Aumento do preço de estacionamento, cujos fundos deveriam ser direcionados para a manutenção das instalações;
  • Estacionamento gratuito para visitantes alojados nas aldeias de Podence e Santa Combinha (cartão digital, com número limitado de dias?);
  • Controlo da poluição sonora (limitação do volume de música em público);
  • Limitação do número de barracas de “bugigangas”, que não valorizam o local;
  • Serviço de aluguer de bicicletas (eléctricas);
  • Dinamização do Centro Náutico, valorizando a infrastrutura existente para promover a prática de atividades náuticas (remo e vela).

Considerando que foram investidos cerca de 470.000€ no Centro Náutico, cuja execução e funcionamento deixam a desejar, supõe-se que possam ser alocados alguns recursos modestos para promover o turismo sustentável no Azibo.

Ou será que nos guiamos pelo oportunismo eleitoral e comercial?