Há vários anos, uma equipe de colaboradores do Centro de Investigação de Montanha do IPB realizou uma sondagem com o objectivo de traçar o perfil dos turistas que frequentam as praias do Azibo. Embora os resultados não sejam particularmente surpreendentes, é lamentável que — apesar dos esforços e investimentos realizados — as autoridades não tenham conseguido elevar o nível do turismo. Sejamos francos: actualmente, é básico.
A relevância de um estudo deste tipo é evidente. Qualquer entidade que presta serviços deve conhecer o seu público-alvo para que a sua estratégia de desenvolvimento seja eficaz.
No entanto, para o Azibo, nunca existiu — ou pelo menos a realidade não o sugere — uma visão ou estratégia a longo prazo. Pelo contrário: falou-se, em tempos, num campo de golfe, e hoje temos um turismo de massas. Nunca foi criada uma identidade de marca que permitisse uma promoção consistente e estratégica.
O resultado é um círculo vicioso: por um lado, não há condições para desenvolver um turismo de qualidade; por outro, o perfil do público actual não estimula investimentos mais ambiciosos — consolidando a imagem do Azibo como destino de massas.
As autoridades parecem estar conscientes da importância de promover um turismo centrado na natureza, cultura e património. Mas não parecem estar conscientes do perfil turístico actual — muito menos empenhadas em tomar medidas para o reorientar.
Na sondagem realizada destacam-se vários resultados — lamentáveis, questionáveis e até algo absurdos:
- Apenas 11% dos entrevistados indicou a paisagem e natureza como principal motivação para a visita.
- Apenas 30% indicou frequentar as aldeias tradicionais, e apenas 38% indicou ter percorrido os trilhos.
- Grande parte dos indivíduos (58% do sexo masculino, 39% do sexo feminino) “não foi capaz de explicar o que mais atrai na Albufeira do Azibo”.
- Quase metada dos entrevistados (49%) não quiz indicar o grau de satisfação, e apenas 31% se mostraram satisfeitos.
- 20% exprimiu disatisfação, apresentando argumentos como o tipo e quantidade de areia, a presença de ervas e algas nas margens e na água [note-se: as praias do Azibo detêm a distinção “Bandeira Azul”], e a ausência de estacionamente com sombra.
- Entre as sugestões para melhorar a oferta, destacam-se propostas como desportos naúticos motorizados [numa paisagem protegida!] e passeios de burro.
Sinceramente: se este estudo for minimamente representativo — e tendo sido conduzido por uma equipa académica, espera-se que o seja — então os dados deveriam ser um sinal claro para as autoridades da necessidade de reorientar e qualificar o turismo no Azibo. Pois o actual turismo de massas não se valoriza potencial deste lugar.
Como se diz no mundo da gestão de marcas: quem não define a sua marca, sujeita-se a ser definido. O Azibo está a ser definido — não por uma estratégia, mas pela ausência dela.


