Calma… Não se entusiasme: este preço não se pratica — nem se praticará — em Santa Combinha. A menos que haja uma revolução copernicana na nossa mentalidade e na gestão do nosso património.
Infelizmente, em Trás-os-Montes, rituais antigos são empacotados para fins comerciais; paisagens são descaracterizadas por empreendimentos turísticos de terceira categoria; e a nossa arquitectura vernacular é destruida, em favor de construções genéricas e dissonantes. Não admira que o Azibo seja principalmente um destino para turismo de massas.
Os espanhóis, italianos, gregos — enfim quase todo o mundo — perceberam há muito que desenvolver um turismo de qualidade começa, inevitavelmente, com a valorização da identidade e do património. Pois quem procura qualidade procura autenticidade — não alojamento em “caixotes” genéricos, ou hotéis comerciais sem charme nem carácter.
O que a pequena burguesia de província considera velhos casebres é, precisamente, o que o turismo de qualidade valoriza — património, história, cultura.
Em aldeias históricas como Matera, no sul da Itália, o preço do alojamento em antigas lojas de gado ou adegas chega aos 660€/noite. Sem praia fluvial, sem caretos, sem alheiras.
Obviamente, para practicar tal preço, é preciso oferecer uma experiência à altura. Uma sensação de lugar, de tempo, de memória. O luxo é discreto, e manifesta-se nos detalhes — como a roupa de cama, confeccionada a partir de tecidos (linho e algodão) antigos, provenientes de antigas herdades da região.
No fundo é simples: tudo começa com o respeito pelo património, visão a longo prazo e gestão com critério.
Esperemos que, um dia, os nossos governantes — altamente diplomados e experientes — sejam iluminados e finalmente ganhem consciência da importância de preservar o nosso patrimonio. De preferência, antes de desaparecer o pouco que ainda nos resta…


