Antigamente, na escola, havia professores com uma filosofia pedagógica muito irritante, mas inteligente. Quando um aluno tinha um bom desempenho, não o elogiavam e corrigiam-no mais do que os outros. A perfeição não existia, havia sempre algo a melhorar. Evidentemente, a filosofia era estimular o aluno a evoluir, e evitar que se tornasse presunçoso.
Na vida real, geralmente é ao contrário. Desde que haja a mínima justificação, segue-se uma corrente de elogios, ou “gostos” nas redes sociais. E hoje, há tantos prémios para tudo, que por vezes é difícil não se ganhar nada…
Sim, o Azibo é magnífico. Sim, o Azibo merece reconhecimento. E, sim, o Azibo é um sucesso ao nível do turismo. Mas que tipo de turismo — um turismo de qualidade, ou turismo de massas? Estamos a desenvolver o Azibo de forma qualitativa, ou será que cedemos aos interesses comerciais? São questões inevitáveis para quem acredita no potencial deste lugar.
Em relação ao Prémio Cinco Estrelas Regiões… Em Trás-os-montes, o Azibo é a única albufeira com praias fluviais desenvolvidas a este nível. Logo, não há competição séria… E não havendo competição séria, qual é o verdadeiro significado de ser premiado?
Para além disso, entre os premiados da nossa região, encontram-se um stand de automóveis e uma rede de óticas (?)… sem que tenha sido seleccionado o Parque Natural de Montesinho, sem o qual não existiria a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica. E devemos levar este concurso a sério?
Como disse o famoso chef de cozinha Marco Pierre White, a propósito das estrelas Michelin: “Hoje distribuem-se estrelas como confetes”.


