A Câmara Municipal deveria aumentar o preço do estacionamento na Praia da Ribeira

No ano passado, a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros introduziu o estacionamento pago na Praia da Ribeira. Uma medida justificada e necessária, considerando o impacto ambiental do turismo de massas, durante a época alta.

Este não é um problema isolado. Nos últimos anos, em países europeus como Espanha e Itália, as autoridades começaram a adoptar medidas para proteger as comunidades e o meio ambiente do impacto causado por um turismo excessivo.

Embora o Azibo seja um contexto completamente diferente das Ilhas Canárias, Barcelona ou Veneza, a nossa paisagem protegida e os nossos núcleos rurais são igualmente vulneráveis à invasão turística. Logo, a decisão da Câmara de introduzir a taxa é justificada. Também é válida a preocupação em manter um preço adequado, de forma a não prejudicar o turismo.

No entanto, o preço simbólico de 1€ não é consistente nem com a justificação ambiental, nem com a qualidade da infraestrutura do Azibo, nem com a promoção de um turismo de qualidade.

Imaginemos um estacionamento com capacidade para 500 automóveis. Seriam 500€/dia, um montante reduzido, considerando os diversos custos e investimentos, bem como o impacto ambiental.

Um preço de 5€/dia na época alta, seria justificado e rezoável, pelas seguintes razões:

  • Se a justificação principal para o estacionamento pago é a preocupação ambiental, então o preço deve ser representativo do impacto causado — o qual é incontestável e certamente superior ao valor da actual taxa.
  • No actual contexto climatológico, deveria ser desincentivada a deslocação automóvel desde as aldeias próximas de Podence e Santa Combinha, e investir num serviço de aluguer de bicicletas eléctricas.
  • Quando se introduz um serviço pago, o preço influência a percepção sobre qualidade do serviço (economia comportamental). Ao cobrar apenas 1€, não se valoriza adequadamente a qualidade da infraestrutura do Azibo. Este preço simbólico acaba por incentivar o turismo de massas, em vez de o desmotivar, em prol de um turismo “lento”, sensível à cultura e à natureza.
  • A manutenção dos espaços públicos é essencial. Os trabalhadores merecem boas condições de trabalho, e uma remuneração justa. Contudo, não é justo que esse custo recaia sobre o orçamento municipal, uma vez que muitos habitantes de Podence e Santa Combinha não usufruem dessa infraestrutura.
  • O impacto ambiental causado pelo turismo de massas, não se limita ao espaço público da Praia da Ribeira. A densidade de pessoas e a intensidade de circulação afectam, directa ou indirectamente, a paisagem do Azibo e a qualidade de vida nas aldeias.
  • Uma taxa de estacionamento mais elevada permitiria cobrir uma maior proporção dos custos de manutenção, libertando fundos municipais para investimento nas aldeias. De facto, para promover um turismo de qualidade, a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia devem incluir Santa Combinha numa visão estratégica para o Azibo.

Concluindo: embora e medida em si seja correcta, a sua implementação não considera devidamente o impacto negativo do turismo de massas, nem ajuda a desmotivá-lo, em favor de um turismo mais sustentável e alinhado com a essência do Azibo.