Muito bem, agora temos um “welcome center” no Azibo. Ou seja, uma instalação onde se explica aos visitantes que, à direita, há a Casa do Careto; à esquerda, o trilho Ricardo Magalhães; e em frente, o aluguer de kayaks. Talvez haja também uma mesa com alguns produtos regionais. Sejamos honestos: é o que esta instalação oferece.
Claro, há ainda um espaço para exposições de arte contemporânea. Mas a questão é: o público que visita o Azibo nos meses de verão, aprecia este tipo de oferta cultural? Sabe distinguir uma obra da Graça Morais de uma da Paula Rego?
O Azibo é actualmente sobretudo um destino para o turismo de massas, concentrado no mês de agosto. Posto isto, será que esta instalação justificou um investimento de 125.000€, considerando a sua utilidade sazonal? Ou, pelo contrário, teria sido mais adequado um investimento mais ambicioso? Deixamos ao critério do leitor. Também deixamos à sua apreciação se o edifício se integra no contexto e valoriza o lugar. A nossa opinião: a materialização é, claramente, dissonante.
Chamou-nos ainda a atenção a ortografia do termo inglês “center”. A pronúncia é idêntica no inglês americano e britânico, mas a ortografia diverge: “center” nos EUA, “centre” no Reino Unido.
Naturalmente, qualquer falante de inglês perceberá o significado. Mas imagine que está de férias no estrangeiro e vê um carrinho a vender “sorvetes”. Vai perceber que se trata de gelados, mas talvez fique com a impressão de que 1) há uma preferência pela norma brasileira, ou 2) foi usada uma tradução automática, sem atenção às nuances da língua.
É exactamente o que acontece com “welcome center”. Se a maioria dos turistas anglófonos fosse americana, faria sentido. Mas no contexto transmontano e europeu, teria sido mais apropriada a ortografia britânica. Não que os ingleses se ofendam — a maioria dos que visita Portugal nem sequer passa pelo Azibo.
E claro, por aqui, ninguém se incomoda com questões de ortografia. Os fundos foram distribuídos, as empreitadas atribuídas, os empregos criados, os votos contados. Agora, o que interessa é alugar quartos e kayaks, vender máscaras e almoços — para que entre o guito.
Em Trás-os-Montes, o progresso é isto…


