Imagine que é arqueólogo no ano 32.025 e que descobriu vestígios de arte rupestre, num sítio que há milhares de anos se chamava Podence. Através de uma combinação de nanotecnologia, sensores quânticos e análise isotópica avançada, conseguiu determinar que os vestígios remontam à Idade Digital — uma época primitiva, em que ainda havia paternalismo, burocracia, corrupção e governos nacionais; em que ainda se comia carne e se perdia tempo no Facebook ou a caçar javalis.
Então, imagine que consegiu através de um conjunto de vestígios, concluir que a arte rupestre em questão representava um jogador de futebol e um presidente da república. Para já, teria de explicar ao seu público curioso o que era um jogador de futebol e um presidente da república. Pois, no ano 32.025 já não se irá praticar um jogo primitivo, que tem como objectivo chutar uma bola dentro de uma rede. E provavelmente também não irão existir governos nacionais, há muito substituídos por organizações privadas, mais eficientes e transparentes. Haveria muito a explicar.
Talvez o maior enigma ainda seria decifrar qual a motivação dos seus antepassados — o Homo Digitalis — em pintar imagens dos seus contemporâneos nas paredes exteriores das suas casas.
Será que as pinturas eram rituais para invocar vitórias no desporto e na política? Eram passa-tempos? Eram expressões de arte popular? E qual a sua relação com aquelas misteriosas máscaras que se encontram na mesma zona?
Acreditem, isto vai dar que falar daqui a 30.000 anos…


